21.5.11


dúvidas santas

penetram

lábios profanos

maldição dos olhos

é o desejo 

alterando

tecidos, pelos, peles



20.5.11

13.5.11



Coração apertou e dobrou-se em pensamentos

sonhos imensos  percorrem os meus joelhos

fiz dos meus braços, abraços

toma-me


11.4.11



 
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.

3.4.11

Zera a Reza

Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza
Zera a reza, meu amor
Canta o pagode do nosso viver
Que a gente pode entre dor e prazer
Pagar pra ver o que pode
E o que não pode ser
A pureza desse amor
Espalha espelhos pelo carnaval
E cada cara e corpo é desigual
Sabe o que é bom e o que é mau
Chão é céu
E é seu e meu
E eu sou quem não morre nunca
Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza

1.4.11


Oh! Quanta distância
Quantos cestos
De estradas eu andei
Mais de uma vez
Só pra te ver


Oh! Quanto cansaço
Quantos matulões
de luas eu cruzei
Mais de uma vez
Só pra te ver

Pensamentos que me invadem
Andaria duas mil estradas
Cruzaria cinco mil luas
Somando sete mil beijos
Pra uma boca tua

27.3.11

Aquele chorinho


Ao acordar chorei
e chorei 

ao entardecer



 chorei chorinho
chorado
sentido



devagarinho
 chorei
chorei as dúvidas
chorei saudade


lavei o canto
no
abraço
daquele
brasileirinho



CUIDA DE MIM


Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto

Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo

Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto finjo, enquanto fujo.

Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir

Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu

24.3.11

Arthur Bispo do Rosário


  "A vida, beija-flor, é o teu estandarte.
Ali, teceste-nos.
Recriaste, porque eras escravo
De quem te recriou
— a Voz que te fez pássaro
Que desfiava um mundo para coser outro
Deu-te asas melhores que as de um anjo,
Pois, onde neles há um sopro,
Em ti, havia só humanidade"

(FERNANDO de Souza)

22.3.11

Não resisto ao OUTONO


No inverno te proteger
no verão sair pra pescar
no outono te conhecer
primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto!

10.3.11



Entrega leve

vento

que sopra vento



1. das observações que o dia carrega
2. do beijo que molha os lábios na cozinha
3. da maciez entre os travesseiros no quarto alegre
4.do carinho que me transporta
5. do vento que sopra borbulhando segredos

 F I M