19.9.11

Não deixará saudades



Álcool maldito

desengano da espécie

A cada gole

não me tens

Alegria ausente

embalsama o que não levarás

a  poesia,

o  riso,

a  fala,



Arde na incensatez

vício estúpido


terás em vida

o último gole




17.9.11

quero passear distraída

com a boca descalça

pedalar dando voz as pernas

quero chegar a lugar algum

10.8.11

Todos os dias temos um encontro no meu jardim. 
Eu te ofereço água e você me ensina a voar.

13.6.11

Ancestral

quando tua cozinha perfuma as minhas lembranças
abro a boca
fechando os olhos


teu olhar miúdo
 mãos grandes
 passo
arrastado
carregando 
histórias 
lembrando que as minhas só estavam por começar

21.5.11


dúvidas santas

penetram

lábios profanos

maldição dos olhos

é o desejo 

alterando

tecidos, pelos, peles



20.5.11

13.5.11



Coração apertou e dobrou-se em pensamentos

sonhos imensos  percorrem os meus joelhos

fiz dos meus braços, abraços

toma-me


11.4.11



 
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.

3.4.11

Zera a Reza

Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza
Zera a reza, meu amor
Canta o pagode do nosso viver
Que a gente pode entre dor e prazer
Pagar pra ver o que pode
E o que não pode ser
A pureza desse amor
Espalha espelhos pelo carnaval
E cada cara e corpo é desigual
Sabe o que é bom e o que é mau
Chão é céu
E é seu e meu
E eu sou quem não morre nunca
Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza

1.4.11


Oh! Quanta distância
Quantos cestos
De estradas eu andei
Mais de uma vez
Só pra te ver


Oh! Quanto cansaço
Quantos matulões
de luas eu cruzei
Mais de uma vez
Só pra te ver

Pensamentos que me invadem
Andaria duas mil estradas
Cruzaria cinco mil luas
Somando sete mil beijos
Pra uma boca tua