14.12.12
13.12.12
"O nó na minha garganta vai diminuindo. Palavras juntam-se, grudam-se, atropelam-se umas por cima das outras. Não importa quais sejam. Empurram-se e trepam uma nos ombros das outras. As isoladas, as solitárias acasalam-se, cambaleiam, multiplicam-se. Não importa o que digo. Como um pássaro a esvoaçar, uma frase cruza o espaço vazio entre nós. Pousa nos lábios dele"
Quem és? Perguntei ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
( Do Desejo )
12.12.12
Água de remanso
[Thiago de Melo ]
Cismo o sereno silêncio:
sou: estou humanamente
em paz comigo: ternura.
Paz que dói, de tanta.
Mas orvalho. Em seu bojo
estou e vou, como sou.
Ternura: maneira funda,
cristalina do meu ser.
Água de remanso, mansa
brisa, luz de amanhecer
Nunca é a mágoa mordendo.
Jamais a turva esquivança,
o apego ao cinzento, ao úmido,
a concha que aquece na alma
uma brasa de malogro.
É ter o gosto da vida,
amar o festivo, e o claro,
é achar doçura nos lances
mais triviais de cada dia.
Pode também ser tristeza:
tranqüilo na solidão macia.
Apaziguado comigo,
meu ser me sabe: e me finca
no fulcro vivo da vida.
Sou: estou e canto.
Paz que dói, de tanta.
Mas orvalho. Em seu bojo
estou e vou, como sou.
Ternura: maneira funda,
cristalina do meu ser.
Água de remanso, mansa
brisa, luz de amanhecer
Nunca é a mágoa mordendo.
Jamais a turva esquivança,
o apego ao cinzento, ao úmido,
a concha que aquece na alma
uma brasa de malogro.
É ter o gosto da vida,
amar o festivo, e o claro,
é achar doçura nos lances
mais triviais de cada dia.
Pode também ser tristeza:
tranqüilo na solidão macia.
Apaziguado comigo,
meu ser me sabe: e me finca
no fulcro vivo da vida.
Sou: estou e canto.
11.12.12
9.12.12
Assombro poético
No delírio poético escravizei-me
aninhada à poesia
já havias me enganado completamente
Sua destreza
amparou-me as lágrimas
coalhadas de sangue
negando tormentos
Sua destreza
amparou-me as lágrimas
coalhadas de sangue
negando tormentos
enquanto os meus sentidos
convulsionavam
convulsionavam
epilépticos
gemi
no poroso e frio chão
do assoalho
gemi
no poroso e frio chão
do assoalho
Dos sinais
7.12.12
Se Te Queres Matar
[...]
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces... [...]
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim? [...]
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim? [...]
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
29.11.12
Aprendi a costurar a pele. a lâmina que me fez gritar a dor e expeli num jato violento o sangue das minhas retinas. aprendi a remendar a carne aberta. o sofrimento aumenta a minha sensibilidade. já me acostumei a cicatriz. escuto os teus passos. sei que lhe perdi da retina. um vulto teu.um passo meu. teus olhos não esquecerei jamais! Não! não esqueça as minhas mãos que respiraram nas tuas. Estou salva do malogro e livre da decepção. Vou voar e não poderia deixar de lembrar-te. Voa pássaro-poeta. Nos encontraremos no céu.
27.11.12
18.4.12
A menina que escreve em geladeira
De tanto resolver
cambalhotas
machucou o dedinho do pé
depois cansaram-lhe as sandálias
(o chão era mais alto agora
porque melhor de alçar)
e o seu tempo ficou gravado
na porta da geladeira
(Ribeiro Pedreira)
cambalhotas
machucou o dedinho do pé
depois cansaram-lhe as sandálias
(o chão era mais alto agora
porque melhor de alçar)
e o seu tempo ficou gravado
na porta da geladeira
(Ribeiro Pedreira)
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