29.7.14

Todos os meus dias são transes,
E todas as minhas noites, sonhos,
Por onde teus olhos cinzentos pousam
E por onde teus passos leves roçam
Em danças etéreas,
Em fluxos eternos

edgar allan pöe

27.6.14

o sabor de um sem fim apetite, o cheiro de uma terra de maças e nêsperas, tudo para o meu gozo [...]
Escuta-me Maria, é homem anjo, nem deves tocá-lo [...] com esta boca três mil vezes bendita te digo que hão de amá-lo todas as mulheres porque não é homem de carne, é pensamento-corpo.

[Tu não te moves de ti - H.H]

1.6.14

Do chão

Ainda sinto as coisas do chão. Nunca experimentei algo assim. A proximidade e aquela liberdade tão imensa.O olhar de perto. Os nossos corpos maiores e o meu respirar indistinto, uma luta débil para com as regras internas e um silêncio que me percorria. Aquele pedaço de chão me lembrou o MAR. Um divino nada e a minha sede de céu. Sou feita dessa espessura delicada e tantos cuidados. Eu estava ali, eu, e todos os meus contrastes.

Não há dia que me faça esquecer esse, porque para sempre permanecerei dilatada por esse infinito que sou. 

30.4.14

Matamoros, de Hilda Hilst (direção de Bel Garcia)

Fluxo-Floema

"Eu sei que é difícil no começo mas com o tempo você vai assimilar tudo isso, é preciso que você viva primeiro, que os anos passem, QUE OS ANOS PASSEM LENTAMENTE é preciso que se forme um certo limo sobre o corpo, é preciso sangrar as mãos, o ventre, o sexo, os pés, o plexo, a mente, e depois vem esse limo sobre a carne, delicado a princípio, apenas, uma matéria transparente, depois mais espessa... e quando chegar nesse ponto fique quieta, não se exponha demasiado porque qualquer golpe, um esbarrão até, pode fazer sangrar essa matéria. Depois, aos poucos, formar-se-á (olha a mesóclise) um invólucro quase duro, e aí você está pronta, aí já se esqueceram completamente de você, aí já não te golpearão mais".

(Hilda Hilst)

22.4.14

“Senhor, isso vai ser péssimo. Você vai querer dormir comigo todos os dias criados por Deus, e estou te avisando, comigo isso não dura...

[Hilda Hilst]
"Nós, mulheres despojadas, sem ontem nem amanhã, tão livres que nos despimos quando queremos. Ou rasgamos os vestidos (o que dá ainda um certo prazer). Ou mordemos. Ou cantamos, alto e reto, quando tudo parece tragado, perdido. [...] Nós, mulheres soltas, que rimos doidas por trás das grades - em excesso de liberdade"

trecho de O Hospício É Deus (1965), de Maura Lopes Cançado.
no passado vejo o CIRCO
ilusionistas, trapezistas,
Ah! o palhaço
e aquele divino nada

20.3.14

Em minha fronte me perco numa planície vazia.
E as horas afiam suas navalhas. 
Mas a meu lado tu respiras;
íntima e longínqua fluis e não te moves. 

Octávio Paz

17.3.14

Enquanto eles se batem, dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia,
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés

Brandy

Não estou a lhe pedir amor ou glória. É brandy e, repare, brandy de terceira categoria. Não é amor mesmo de terceira categoria. Nem a glória de terceira categoria, coisa suficiente para nos sentirmos muito perto de Deus.

Herberto Helder