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15.10.10

Ela só queria desabotoar os sonhos

revelar em tons de sépia a sua nataruza envelhecida

respirava em longas escaladas

diamante puro

 Ela só queria  

desnudar-se

8.4.10

Cúmplice


 
 Era verão e você entrou em meu blog. Leu todos os meus textos e girou. Efeito colateral. O que eu fiz em você sem saber? O que você fez em mim depois sabendo? Tudo, muito. E assim começou e não sei onde irá terminar. Falo com você ao telefone todas às noites, e seguimos entre torpedos e webcam. Você fala sobre sua vida; eu digo sobre a minha. Você escreve poemas; eu escrevo meus afetos. Eu apresentei à família a você; você mostrou minhas fotos para sua família, seus amigos. Você canta, sorri, eu ouço, alegre. Discutimos sobre amor, e a vida; divagamos sobre o passado que não existe, o presente que nos consome, o futuro que nos engloba. Você viaja nas asas de uma águia para minha cidade; eu viajo para a sua.Você me quer, eu te desejo. Você é 'cheff '; eu esquento o pão. Você é meu complemento; eu sou seu suplemento. Fazemos sexo. Brincamos. Ardemos. Você tem um jeito que eu gosto. Eu olfativa,  acompanho rastros de perfumes, você molhou o corpo em nova essência. Lê minhas palavras soltas, se ‘entrega’, na entrega, e nos juntamos nesse ‘estado’. Ficamos com saudades; comemos a saudade. Choramos juntos. Seu cérebro armazena letras de música; eu observo, leio, assisto filmes concentrada; você se excita nos filmes e me excita. Você quer me respirar; eu quero-lhe transpirar. Inspirar e respirar. Fazemos amor. Você goza, eu gozo, nós gozamos. Eu sou doce como bala; você chupa a bala até com papel. Você é intenso; eu sou profunda.  Eu recebo cantadas idiotas; você recebe elogios suspeitos. Eu sou Renata, Luciana, e todas as mulheres ocultas em minha pele; uma tribo na sua vida, um rizoma. Somos nômades por excelência. Eu  focada; você disperso. Eu fico molhada; você ensopado. Eu cuido do meu jardim; você me apresenta a flora. E é tanto céu e tanto ar, que nos lançamos na imensidão.

5.4.10

Leite derramado


 “Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos, ela com as mãos na altura dos quadris, agarrando,torcendo a própria saia.E corava pouco à pouco até ficar bem vermelha, como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol.
A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo, eu era o Sol"


Chico Buarque

17.1.10

No sol levante


Ausência instalada
sentida
coração segue o descompasso
No tempo que não lhe tenho
vento que sopra faz frio
Me abraça 
carrega
o teu corpo para minha
casa