27.5.10

Abundante-mente

Ela, assim como eu, é abundante na entrega .
Somos: Apaixonadas pelas sensações. Pelas cores, cheiros, texturas... Pelos sons e sabores da vida

26.5.10

contraiu as pálpebras

mergulhou  silenciosamente

 na  elasticidade do sangue

pertubação íntima

sentiu a dureza

dos próprios traços

20.5.10


18.5.10


"ver-te
chegar num eco de ave
e deixar que me prendas
com o teu gesto mais suave,
sentir-te só, ao pé de mim
e sentir-me tão só,
longe de ti..."


14.5.10
















   

você está tão longe
que às vezes penso
       que nem existo

       nem fale em amor
que amor é isto

12.5.10

A outra face

 

  Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou a mesa e as cadeiras deste cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, nas camas, nos lares, na lama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Mas não esquece o que lhe fazem
Nos bares, na lama, nos lares, na lama
Na lama, na cama, na cama

30.4.10

Sua


















É certo acordar amanhã sentindo o teu cheiro e não mais o meu

É certo estar envolvida por tuas asas e não mais sentir o frio do meu lugar

Vou em busca do teu querer

26.4.10

Filme de cabeceira

 
(porque a tua descrição é o meu sentir)

"Esse o meu filme mais dileto. O filme-revolução da cinematografia brasileira. O meu filme-paradigma íntimo.
Lavoura arcaica arrancou de mim a admiração por Luiz Fernando Carvalho. Desnudou-me a ânsia. A compulsão por Nassar.
No silêncio da tela, o silêncio agudo da terra. A literatura da terra. Corpo bruto vestido de chão. Cinema-entorpecimento.
Ao menos foi essa a cicatriz deixada pelo filme. Algo inacabado em mim encontrou nele o regaço, a acolhida; qual inconsciente que urde na trama dos sonhos, o gozo, a trama da vida. Tudo convergia ao encanto.
Nos próximos minutos a cor me acometeria. Magistralmente a fotografia do filme arderia nos olhos, estampando, por dentro, as brumas mais densas do ser. O enigma, a paisagem, a sucessão. Em cada fotograma, uma entidade viva, embebida da selva literária de Raduan Nassar. Um mesmo e longo mosaico de sinuosidades, cheiros... Estesia.
A experiência do belo ali transposta no horror, na sujeição, na sede do gesto que descerra a origem. A experiência de Lavoura Arcaica é literalmente carnal. Um filme de sinestesias. Com sabor e intensidade próprias. Um gosto de pele a arder no olhar.
Selton Mello, tornado animal de si mesmo, reverbera senões de seu tempo psíquico, de seu instinto, de sua verve de fogo. Na teia discursiva, a história é a história. Os séculos do homem, a busca, o que dorme na vicissitude. O meio e a imaginação. O devir, a licenciosidade. O tornar-se a ser. A não-concreta liberdade.
Lavoura Arcaica foi, a priori, um ensaio para os meus próprios abismos, sutil fronteira demarcada no horizonte do irreal. Um despertar para a Sétima Arte, um mergulho nas folhagens e artérias do mundo-sensação".

(BETA)

23.4.10

de tanto imaginar-me
entregue
fiz do corpo jardim
moça-flor
rubra-cor
sina de amar
voar


18.4.10

LÁ NA CASA DOS CARNEIROS

A casa dos carneiros abre as portas para receber aqueles que fazem da viola caipira um dos instrumentos mais populares do país. A arte que representa o nosso chão, uma música que acaba por traduzir a alma de nossa gente. Elomar convidou à Casa dos Carneiros sete violeiros: Pereira da viola, Miltinho Ediberto, Décio Marques, Xangai, Mão Branca e o maestro João Omar para  celebrar o canto dos violeiros, os poetas populares. Uma mostra da indescritível noite de ontem, aqui no Povoado da Gameleira