17.12.12

Crepúsculo



Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes 
Borboletas de sol, de asas magoadas, 
Pousam nos meus, suaves e cansadas 
Como em dois lírios roxos e dolentes… 


E os lírios fecham… Meu amor não sentes? 
Minha boca tem rosas desmaiadas, 
E as minhas pobres mãos são maceradas 
Como vagas saudades de doentes… 



O silêncio abre as mãos… entorna rosas… 
Andam no ar carícias vaporosas 
Como pálidas sedas, arrastando… 



E a tua boca rubra ao pé da minha 
É na suavidade da tardinha. 
Um coração ardente palpitando…

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