13.3.10

Abstrato



eu nunca beijei um poema.

no entanto ele está aqui
roçando leve minha
boca

nas horas dos
mais

doídos
silêncios

9 comentários:

ErikaH Azzevedo disse...

Lindo...digo mais: Sublime.

Os silencios são responsáveis por poemas assim, e isso é a prova de que até o silencio é capaz de se render à força das palavras.
Fezme lembrar até o poema do Eça de Queiroz recitado numa música interpretada por Marisa Monte, que diz assim:

Tinha suspirado, tinha beijado
o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam
aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se
ao calor amoroso que saía delas,
como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima
por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim
numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha
o seu encanto diferente,
cada passo conduzia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo,
radioso de sensações!

(Primo Basílio - Eça de Queiroz

Bjo.

Erikah

Ribeiro Pedreira disse...

Beijar um poema é comer a saudade e engolir os silêncios da solidão.
Esse poema é forte, flor!
Forte como o desejo de estarmos.
BJS!

Renata Luciana disse...

Erikah

perfumas o blog com a tua 'entrega' musical e poética.Lindo!

Sentes daí o que vivo aqui...

beijos flor!

Renata Luciana disse...

Homem dos meus devaneios, Senhor da minha ENTREGA

quero os beijos,
de amor
quero a bóia que me sutenta e me ajudar a não naufragar na saudade.

Desejos...

Tiago Moralles disse...

Beijar eu também não beijei.
Mas já fui beijado.

Mai disse...

Belíssimo! Forte, todavia, como o desejo dos amantes.
abraços

Geraldo de Barros disse...

Renata, muito bom, intenso isso, falar do abstrato de forma concreta, quando li este poema até o senti nos lábios

=)

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

delicadeza ao falar de sedução, de entrega, do romance não revelado, do olhar por entre o simples fato de olhar,

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

delicadeza ao falar de sedução, de entrega, do romance não revelado, do olhar por entre o simples fato de olhar,