18.12.12

Incêncio alucinado


Tua fome obscena seja também revitalizada; um milagre, um milagre, eu ainda suplicava [...] subiremos escarpas de pés descalços e, de mãos dadas, iremos juntos incendiar o mundo!


17.12.12

Crepúsculo



Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes 
Borboletas de sol, de asas magoadas, 
Pousam nos meus, suaves e cansadas 
Como em dois lírios roxos e dolentes… 


E os lírios fecham… Meu amor não sentes? 
Minha boca tem rosas desmaiadas, 
E as minhas pobres mãos são maceradas 
Como vagas saudades de doentes… 



O silêncio abre as mãos… entorna rosas… 
Andam no ar carícias vaporosas 
Como pálidas sedas, arrastando… 



E a tua boca rubra ao pé da minha 
É na suavidade da tardinha. 
Um coração ardente palpitando…


mas não se questiona na aresta de um instante o destino dos nossos passos,
 bastava que eu soubesse que o instante que passa, passa definitivamente [...]

Gotan Project - Vuelvo Al Sur





Dentro do grande túnel digo-te a vida
esta nuvem que vai para o centro da cidade leve e rosada 
como a proa de um barco
bateira que me trás os dados e a roleta onde no branco
ou no preto devo jogar
jogando-me contigo
bem-me-quer
malmequer
ou muito ou pouco
ou nada
o que só com as mãos pode ser soletrado
só nos teus olhos nos teus olhos escrito



16.12.12



Daqui desse momento

Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

14.12.12

13.12.12



Escreve no meu  corpo o teu silêncio

Apenas

o teu silêncio 


"O nó na minha garganta vai diminuindo. Palavras juntam-se, grudam-se, atropelam-se umas por cima das outras. Não importa quais sejam. Empurram-se e trepam uma nos ombros das outras. As isoladas, as solitárias acasalam-se, cambaleiam, multiplicam-se. Não importa o que digo. Como um pássaro a esvoaçar, uma frase cruza o espaço vazio entre nós. Pousa nos lábios dele"

Quem és? Perguntei ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.



Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.


( Do Desejo )

12.12.12

Água de remanso



[Thiago de Melo ]


Cismo o sereno silêncio:
sou: estou humanamente

em paz comigo: ternura.
Paz que dói, de tanta.
Mas orvalho. Em seu bojo
estou e vou, como sou.
Ternura: maneira funda,
cristalina do meu ser.
Água de remanso, mansa
brisa, luz de amanhecer
Nunca é a mágoa mordendo.
Jamais a turva esquivança,
o apego ao cinzento, ao úmido,
a concha que aquece na alma
uma brasa de malogro.
É ter o gosto da vida,
amar o festivo, e o claro,
é achar doçura nos lances
mais triviais de cada dia.
Pode também ser tristeza:
tranqüilo na solidão macia.
Apaziguado comigo,
meu ser me sabe: e me finca
no fulcro vivo da vida.
Sou: estou e canto.

11.12.12

O amor, me reconheceria a quilômetros de distância sem me prender, ele saberia do meu desejo de voar.



Um desejo , não de ser ave,

Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro do meu ser 

Fernando Pessoa

9.12.12

Oblivion


NA NOITE VAZIA

Assombro poético


No delírio poético  escravizei-me
aninhada à poesia
 já havias me enganado completamente
Sua destreza 
amparou-me as lágrimas
coalhadas de sangue
negando  tormentos
enquanto os meus sentidos
 convulsionavam
epilépticos
gemi
no poroso e frio chão 
do assoalho