7.2.13

Tem a chuva

e as gotas

e a fome


porque não comê-las?



Duo


TOM

manhã fluida
no branco
amanhecer
flor de cacto

notas
de orvalho

umidade
serena
sol maior

[Renata Luciana]



SEMITOM


manhã sem uma pétala
que dissolva orvalhos
cores notas



erudito sol 
acorda melodias em mi
menor

[Ribeiro Pedreira]

6.2.13

Rapte-me

Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De um quasar pulsando lôa
Interestelar canoa...


5.2.13

Liberté


Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa

Despe meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama
E conta-me histórias, caso eu acorde
Para eu tornar a adormecer
E dá-me sonhos teus para eu brincar.
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.


4.2.13

Apenas Clarisse




"Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida.  Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. 
Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?
E uma desilusão. Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema [...]



O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."

3.2.13

                                  Eu sou o carnaval em cada esquina do seu coração

2.2.13

2 de fevereiro


As águas do meu mar são densas, contínuas, fortes, e profundas. E como uma grande onda me arrebatam para o novo ciclo que sempre vem.

Odô Ya





'quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar'

30.1.13

Eternidades





'Tem hora em que penso que a gente carecia,de repente, 
de acordar de alguma espécie de encantamento...'



Eu que caminho para o longe



'E onde já se viu tê medo da força da vida, fia? o que vem não se adia e chegô: ri e celebra, purque o mundo pode se refazê em ocê!'

  Vivê é pra quem tem tutano!

25.1.13

Página


Mentiras de verdade





Assoviei, fingi à beça 

Fiz promessa e o amor não some 
Criei um muro e a mesma fome 
Morde os braços do adeus 
Com a boca eu me despedi 
Minhas mãos desdisseram: não, não 
Mentira, foi tudo mentira 
Você me enganou 

Verdade, foi tudo verdade 
Eu hoje admito: 
Somos um mito, sim 
Maldade e carinho 
Ternura sem fim 
Num laço 
Coleira de cetim 
Quero esquecer de mim 
Ser mais você, menos do que eu... 
Verdade e mentira que o amor entre nós reviveu 
_ E um breque é coisa nossa num samba-canção 

As velhas formas do viver





Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos.