16.12.10

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!… Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos,
Nosso Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho…

5 comentários:

Lua Nova disse...

Há uma desventurança triste no teu poema mas é tal qual a que sentimos de vez em quando, e não há como escapar disso. A natureza do ser é bipolar e os estados de espírito se alternam. Afinal, como comemoraríamos a luz se não conhecêssemos a escuridão?
Adorei o poema.
Beijokas.

Por que você faz poema? disse...

Quintana ótimo como sempre.
Acho que minhas janelas também estão mortas, ou fechadas na calada dessa noite, quando ando cansado de estrelas e do ceu sem nuvens. As minhas rugas e os meus cabelos brancos nao me consolam.

Ribeiro Pedreira disse...

ainda restam os sonhos da matéria tombada. os astros são longes, mas os olhos ainda os perseguem na sua inutilidade.
bjs meus!

Tuca Zamagna disse...

Muito bom o poema, Renata. Todo ele. Podia destacar os dois versos finais, mas prefiro citar os que me pegaram de jeito:

"Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos,
Nosso Senhor, as prostitutas, os mortos!"

É um belo presente de fim ano conhecer o seu blog! Sinal de posperidade para 2011...

...Que seja ele bom para todos nós desse mundo maluco!


Beijos

Sylvia Araujo disse...

Esse ritmo. Esse tom que nos identifica, que faz de Quintana fio - tênue, sempre em riste.

Lindo re-conhecimento.

Smaaaaaaack, flor de amor!